De Gargantia a Avatar, Aria a Durara – O que eles tem em comum?

635434-suisei_no_gargantia___01___large_end_card

Estava conversando sobre Gargantia com o senhor Sakuda, onde foi apontada a similaridade com filmes como Dança com lobos, O Último Samurai e Avatar. E que o próprio Gargantia era uma obra covarde em usar um roteiro tão bem testado, com quase que garantia de sucesso.

E…

Sim, concordo plenamente com isso. Mas uma pergunta ficou na minha cabeça desde então: Por quê? Porque essa é uma formula tão boa, o que ela tem de especial, e mais do que tudo, sobre o que ela é?

Isso leva a olhar para as obras que a utiliza, o que em Avatar é interessante? Em Samurai? E no próprio Gargantia.

Apenas uma resposta surge, o mundo. Os personagens nessas obras são pessoas de uma cultura inversa ou bem diferente da daquele mundo onde é colocado, isso feito para a criação de conflito, drama e resolução, mas o que importa nas obras é o mundo, o lugar onde se passa.

Avatar por exemplo, lembro-me de muitas criticas a história ser basicamente Pocahontas com smurfs e tudo mais, mas não lembro uma vez ter ligado para o que estava acontecendo no *plot* e sim queria continuar vendo como aquele mundo meio que biopunk funcionava e como a tribo interagia com ele. O mesmo com O ultimo samurai, que mostrou aquela faceta do Japão, fazendo com que o espírito de weeabo da época ficasse feliz.

O personagem principal que normalmente é alguém fora da cultura que a obra passa não é nada mais do que a lente de quem experiência a obra, alguém para conhecer aquele mundo do zero.  O verdadeiro personagem principal é aquele mundo.

E isso, do mundo como personagem principal, é algo muito usado, e de outras maneiras. Combinações com outros elementos narrativos e temas em geral. Pensando nisso me leva a olhar obras similares.

Aria é basicamente a mesma premissa, uma garota de um mundo civilizado e tecnológico vai para um lugar novo e diferente, e muito mais inconveniente. Apenas que em Aria todo conflito é removido, e a garota aceita e adora aquele novo lugar, e até diz que essas inconveniências fazem a vida ficar melhor, pois são sempre diferentes..

Outro exemplo ficaria com fazer como diferentes vidas são influenciadas pelo lugar em si. Durarara é um, onde a obra mostra sua versão de Shibuya, e como ela influencia a vida de diferentes pessoas em escalas e formatos distantes. E de volta mostra como essas pessoas influenciam Shibuya.

img000031

Apesar do lugar mostrado normalmente ser “melhor” do que o que as personagens são, existem alguns que é o contrario. Wolfsmund mostra um forte entre duas nações, e diferentes pessoas tentando passar por eles, apenas para descobrirem que a boca de lobo realmente não é um lugar a se levar a brincadeira.

Após voltas e voltas voltamos a Gargantia, ele é uma obra covarde? Well, Yes.

 Até o episódio atual ele vem usando a “formula básica”, mesmo quando existem várias outras maneiras de explorar um mundo. Mas estando apenas na metade do caminho, creio que ele ainda pode se superar e mostrar algo diferente (certas mensagens dadas ao longo sugerem isso) ou pelo menos mais cenas das garotas dançando, estou feliz com qualquer um dos dois.

Mas com tudo isso dito, a obra vem mostrando um mundo bem interessante, então mesmo que acabe ficando nas águas seguras da temática escolhida, ainda vai ser algo bom, apenas, covarde.

Algumas tropes vistas bastante nessa temática: Culture ClashAudience SurrogateSliding Scale of Idealism Versus CynicismFish out of Water.

Anúncios