Realm of the Mad God (or “How I learned stop worrying and love the Steam”)

Bom, eu costumo fugir de MMOs como o Diabo foge da cruz. Os motivos são vários: não gosto de builds, não gosto de ser xingado por perder/ganhar, não gosto da obrigação de formar party (e ter de implorar para que isso aconteça), etc. O motivo mais forte porém é outro: se eu gosto de um jogo online eu fico automaticamente viciado, deixando com que esse jogo destrua minha vida por um certo período de tempo.

Essa é a história do último jogo que fez isso: Realm of the Mad God!

Realm of the Mad God (Wild Shadow Studios, 2011)

Realm of the Mad God é descrito como um “MMO bullet-hell cooperativo”. Para quem não sabe o termo “bullet-hell” é utilizado para descrever um tipo específico de shoot’em up (“jogo de nave”), aquele tipo que tem trocentos milhões de tiros na tela e você tem de escapar entre espaços minúsculos e ainda por cima matar a galera toda. É um gênero de nicho, muito querido na época dos arcades (no Japão é querido até hoje, veja Touhou).

Se você não conhece isso não sabe o que é viver.

Mad God vem adicionando mecânicas de RPG: pontos de experiências, classes, guilds e susbstituindo os famosos “power-ups” por equipamentos dropados dos monstros. Além disso temos o fator online, que é muito bem manuseado (pelos meus padrões, é claro).

A história do jogo é bem simples: Oryx, the Mad God, precisa alimentar seus lacaios, e os heróis do reino foram os escolhidos! Pronto, é isso. Está todo mundo querendo te comer – acho que já é motivo o suficiente para atirar para todo lado.

Você começa como um Wizard, a classe inicial. Conforme novos níveis são atingidos outras vão se tornando acessíveis, totalizando 13 classes diferentes, cada uma com sua habilidade específica. A variedade é grande, cobrindo o que se espera de um MMORPG: cura, buffs, debuffs, ataques em área, stealth, etc. Cinco tipos de armas conferem tipos de ataque diferentes, principalmente quanto ao seu alcance (a espada de um cavaleiro tem um alcance ridículo quando comparada a um arco-e-flecha, mas causa muito mais dano).

O quê é louvável no jogo é sua simplicidade. Formar uma party? Todo mundo que está perto é automaticamente uma party. Cruzar grandes distâncias no mapa? Fácil, você pode se teletransportar para qualquer jogador. Quer melhorar suas habilidades? Arranje o respectivo item e você está pronto para a ação. Ao remover várias camadas dos MMOs tradicionais, os desenvolvedores (e os jogadores também) podem se concentrar na ação central do jogo. Não existe nem lojinha: tudo é na base da troca entre jogadores.

Difícil de entender o que está acontecendo? Não para quem joga.

Outra coisa que eu gostei muito é o fato de ser um MMO onde você pode jogar sozinho, não chega naquela parte onde você é obrigado a ter uma party para continuar avançando, pelo contrário, às vezes é até melhor estar sozinho pois fica mais fácil identificar os tiros dos adversários e desviar deles. Claro que em alguns momentos uma party com estratégia combinada é bem útil, principalmente em certos dungeons. O jogo permite até 85 jogadores jogando ao mesmo tempo por “realm”, sendo que cada servidor tem um a área comum (a cidade chamada de Nexus) e diversos “realms”.

Um ponto principal em Realms of the Mad God é a “permadeath”, a morte permanente, o que significa que quando você morre, VOCÊ MORRE. Lá se foram suas horas de empenho w seus itens super-raros. Esse que pode parecer um fator broxante acaba aumentando a tensão do jogo, ao dar mais importância à morte Mad God recobra alguns valores antigos dos videogames que hoje em dia ficaram para trás. Morrer também é o único jeito de ganhar “fama”, que funciona como uma moeda para comprar alguns dos poucos itens que não estão disponíveis nos monstros, além de trazer a oportunidade de seu jogar com uma classe diferente (a princípio você só tem direito a um personagem, outros podem ser comprados com dinheiro real).

So, you're dead. Play again?

Ah, a parte artística! Como pude esquecer disso? Todo o mundo do Mad God é feito em pixel art, nostalgia pura. Para mim é interessante ver como as coisas são representadas nesse tipo de gráficos tão simplistas. Mesmo que você não goste é indiscutível que eles fazem seu trabalho. A música passa meio em branco, mas os efeitos sonoros fazem um bom trabalho.

O jogo também tem seus problemas, o principal deles é o fato que ele vem configurado para “te sabotar”: a câmera vem centralizada no jogador e fixa (sem poder rotacionar), limitando muito seu campo de visão e mobilidade, para monstros mais fortes é imperativo mudar isso nos menus – só acho completamente desnecessário deixar o padrão tão ruim. Existem também alguns probleminhas de interface aqui e ali, nada muito terrível, além do fato da inexistência de uma moeda virtual para transações entre jogadores acaba criando alguns empecilhos na minha opinião.

O único lugar seguro do mundo.

No final das contas Realm of the Mad God é um belo jogo, fundo o suficiente para quem quiser mergulhar nele e também acessível para novos jogadores, e, mesmo sendo altamente repetitivo, muito divertido. Também ganha pontos por ser uma iniciativa diferente num universo tão cheio de clones de WoW e clones de Half-Life – criar um “MMO bullet-hell cooperativo” é uma ideia genial.

O jogo está disponível no Steam desde o dia 21 de Fevereiro (apesar de já existir há um ano antes disso e poder ser jogado em qualquer browser), e é free-to-play. Alguns privilégios são pagos, como costumização de personagens, novos slots e mais espaço para guardar seus itens (itens guardados na “Vault” não somem quando você morre); nada que faça do “jogador pagante” um “vencedor automático” como em outros jogos.

Esse jogo me fez instalar o Steam de novo e começar a usá-lo de verdade (apesar de continuar preferindo ferrenhamente o GOG). Joguei 35 horas nessa última semana. Realms of the Mad God está destruindo minha vida – alguém quer jogar um pouco :D?

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