Sí, Presidente! Tropico

Me esforçando sempre para trazer um gênero diferente da semana anterior, hoje eu falo para vocês sobre um “simulador de governo”. E é claro que ele faz parte do Summer of Love (só que eu peguei só a parte do “summer”).

Bienvenidos a Tropico!

Tropico (2001, Windows, MAC)

Tropico foi desenvolvido pela PopTop Software, empresa que em 2006 se fundiu à famosa Firaxis de Sid Meier (Civilization, Alpha Centauri, Pirates). É um jogo do gênero de “estratégia/gerenciamento”, onde você assume o papel d’El Presidente, o governante de uma ilha caribenha durante os anos da Guerra Fria, e é exatamente essa temática que faz de Tropico um título único que merece atenção.

Primeiramente vamos nos localizar historicamente:  “Guerra Fria” é como é conhecido o período desde o final da Segunda Guerra Mundial até o final dos anos 80, onde duas super potências (os capitalistas Estados Unidos da América e a comunista União Soviética) se enfrentavam indiretamente para aumentar seu poder e a influência de suas ideologias. Todo o planeta foi afetado por essa disputa e, mesmo com o fim da URSS e da Guerra, temos até hoje nas Américas um país que ainda vive essa realidade. É exatamente a Cuba do regime comunista de Fidel Castro e “banana republics” em geral que são a inspiração para Tropico.

Todo dia é um bom dia para conversar com uma "garota da vida" durante o expediente.

Você é “El Presidente” e agora tem a obrigação de fazer crescer seu país e melhorar a vida de seu povo… YEAH, RIGHT! Primeiro ponto em se levar em consideração ao jogar Tropico: a fecilidade e desenvolvimento de sua pátria ficam em segundo plano, é melhor que você se preocupe em consolidar seu poder e agradar as pessoas certas; e quem sabe poupar um pouco para sua aposentadoria. Quando existe a opção de enviar dinheiro público para sua conta na Suíça já dá para perceber que a honestidade não é tão prezada por seu governo.

O povo de sua ilha é formado por pessoas com opiniões e classes sociais diferentes, todas tendo afiliação a alguma das facções presentes no jogo. Capitalistas, comunistas, intelectuais, religiosos, militares – todos estão lá prontos para julgar seu governo; o jogador tem então de buscar o equilíbrio entre as facções, ou simplesmente tentar esmagar seus opositores. Para isso ele conta  com diversas leis que podem ser instituídas, propaganda a favor ou contra determinado grupo, e até mesmo subornos, prisões políticas e assinato de cidadãos mais revoltosos. Manter as diferentes facções o mais satisfeitas possível é uma necessidade, pois ninguém quer ter um carreira curta por ser deposto por um golpe militar ou uma revolução popular, além das eleições que acontecem de tempos em tempos (você pode roubar, mas depois de algumas vezes o povo começa a perceber).

Moradia para o povo (desde que eles paguem o aluguel)!

Você também tem o poder de decidir como será a economia de seu país: industrial, de matérias-primas ou turística, cada uma com seus altos e baixos. Todas as estruturas da ilha são construídas pelo jogador, com exceção das favelas que começam a aparecer se o governo não prover moradia para o povo mais pobre. Essas favelas podem se tornar um enorme problema assim como no mundo real, pois crescem em qualquer lugar e podem acabar ficando “no caminho do progresso” (principalmente se você quer fazer um paraíso turístico). Alguns prédios, como universidades, necessitam de profissionais qualificados       que se não existirem em sua ilha podem ser trazidos de fora a um preço mais alto. O quê e onde você constrói também afeta sua relação com a facções do jogo (fábricas no meio da floresta tropical não vão ganhar votos com os ambientalistas).

Além disso El Presidente também tem de ficar de olho na Guerra Fria, afinal os dois grandes poderes adoram precionar nações menores. Você pode tentar ficar neutro, ou simplesmente correr para a asa de algum deles com ações afirmativas, enviando presentes e elogios. Você pode ter sua própria Crise de Mísseis!

Ainda bem que existem bares, afinal a vida não é só ameaça de iminente de guerra nuclear.

Quando começa um novo jogo, o jogador pode criar seu próprio líder, escolhendo suas vantagens, desvantagens e o modo como chegou ao poder (golpe militar? Eleito como comunista? Eleição roubada? Sucessão familiar?); ou jogar como um dos personagens prontos, alguns baseados em líderes reais da América Latina como Fidel Castro, Che Guevara e Evita Péron (tem também o Lou Bega do Mambo no.5, porque WHY NOT?).

Tropico conta com dois modos: Scenario e “Jogo Livre”. No modo scenario temos diversos mapas com objetivos específicos e características pré-determinadas, eles são divididos por sua dificuldade e existe todo tipo de coisa (me lembro de um onde a história era que você estava numa ilha deserta como líder de um grupo de naúfragos, e tinha de desenvolver a ilha o suficiente para construir um aeroporto e cair fora dali).

No jogo livre você escolhe quanto tempo PLANEJA governar, o tamanho da ilha, a quantidade de recursos naturais, qualquer outro objetivo de vitória, entre outras coisas, e vai jogando até concluir seus planos, ou até ser chutado do poder, o quê vier primeiro. No final você recebe uma pontuação que classifica seu sucesso levando em conta vários fatores.

Definindo os parâmetros da sua ilha.

Graficamente falando é um jogo nos padrões do gênero, com sua câmera isométrica e pequenas sprites representando seu povo. Essas sprites tem uma boa qualidade e permitem só no olhar saber qual o papel daquele cidadão na sociedade, afinal uma das diversões desse tipo de jogo é ver a galera trabalhando pra você.

Tropico atinge o objetivo de manter a climática caribenha principalmente na parte sonora. Toda a trilha sonora do jogo é composta por músicas latinas originais, e ganhou até prêmio! Efeitos sonoros não faltam, como as ondas quebrando na prais, os pássaros tropicais e as fábricas destruindo o meio ambiente – tudo que um bom líder gosta de ouvir. Temos até vozes, a mais notável sendo a de seu braço direito, carregada no sotaque.

Para mim é um jogo definitivo do gênero – todos as características importantes para um bom “simulador de governo” com o diferencial de apresentar um governante nada ético e o ambiente hostil e complicado da Guerra Fria (temática que eu gosto muito por sinal), tudo com bom humor. Se você gosta desse tipo de jogo deveria parar de perder seu tempo lendo blog e ir jogar Tropico!

Eu respeito King Jong Il - é difícil esmagar o povo e ainda fazer todo mundo chorar no seu velório.

O jogo teve um pacote de expansão lançado em 2002 (Paradise Island) que, principalmente, aumentou as opções na parte turística da ilha, além de trazer algumas melhorias ao gameplay e mais mapas e cenários a serem desafiados. Em 2003 saiu o segundo jogo da série (Tropico 2: Pirate Cove) que, por algum motivo, é sobre piratas e que, por isso, acabou perdendo algumas das qualidades do primeiro jogo. Muito tempo depois (em 2009) foi lançado Tropico 3, voltando às raízes da série, e mais recentemente Tropico 4 (no final de 2011), ambos com grandes upgrades gráficos (não sei quanto ao gameplay porque nunca joguei).

Tropico (como é de costume) está disponível no GoG.com e no Steam, ambos oferecendo sua versão “Reloaded”, que vem com o jogo principal, a expansão e o Tropico 2 – sem dúvida é uma compra que vale a pena. Não posso garantir o segundo jogo a série, mas Tropico é um dos meus favoritos.

Antes de eu ir fiquem com um pouco de música. See ya.

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