Western JRPG: Septerra Core

Então você diz que prefere RPGs orientais tipo Final Fantasy e que no PC não tem nada disso? Não tão rápido! A diferença é que nossos JRPGs são feitos em Chicago – conheça Septerra Core.

Septerra Core: Legacy of the Creator (Windows, 1999)

Septerra Core é o filho único do Valkyrie Studios, que nasceu para concluir seu desenvolvimento e nos anos 2000 desapareceu da face da Terra – sério, não tem mais site, não tem página na Wikipedia e a coisa mais nova que dá para achar a respeito é isso aqui. Eu sei que começar dizendo que o estúdio faliu não é o melhor jeito de indicar alguma coisa, mas não deixe isso te influenciar e continue lendo como o bom leitor que você é.

O jogo se passa no mundo de Septerra, planeta composto por sete camadas de continentes umas sobre as outras, chamadas de “Shells”. Graças ao acesso complicado entre um Shell e outro cada um deles tem sua própria sociedade e cultura, com valores e crenças diferentes. A camada mais acima é o Shell 1, que, por ter maior acesso ao Sol, é o mais tecnologicamente desenvolvido de todos sendo a casa do Chosen. As camadas são organizadas de forma decrescente e orbitam o núcleo do planeta.

It's a beautiful world!

A história começa quando Maya (uia, uma garota protagonista 10 anos antes de FFXIII), uma jovem moradora do Shell 2, vê uma nave dos Chosen cruzando o deserto. Da última vez que isso aconteceu todos os adultos de sua cidade foram mortos (incluindo seus pais), então ela decide investigar. Com o decorrer de sua jornada ela e seus amigos, novos e antigos, acabam descobrindo os planos de um nobre chamado Doskias e a ligação entre ele e o Legado do Criador, se tornando assim a última esperança de Septerra.

No geral o jogo me lembra muito Chrono Trigger.

Minha religião não permite que eu perca a chance de falar de Chrono.

O quê? Eu preciso continuar escrevendo? A última frase devia ter feito todo mundo sair correndo para dar um jeito de jogar… Okay okay, continuemos então.

A boa sacada de Septerra Core é exatamente o fato de existirem 7 continentes praticamente isolados, trazendo vários contrastes para o jogador, o quê também se aplica aos personagens jogáveis. Eles são 8 além de Maya, de vários Shells diferentes o que gera divergências. Por exemplo, alguns personagens são provenientes de facções inimigas e tendem a não aceitar uns aos outros, chegando até a desobedecer o jogador durante as batalhas para atacar uns aos outros – cabe então a você econtrar um jeito deles “fazerem as pazes”, o quê normalmente é feito através de sidequests.

Essas sidequests seguem o estilo antigo de dicas dos NPCs e lugares fechados, então é sempre bom voltar aos lugares já visitados e ter boa memória. Num todo o jogo conta com um número bom de áreas escondidas e algumas sidequests, vale a pena explorar (principalmente para os viciados em ter os itens mais fortes).

A mecânica do jogo é o tradicional “clique com o botão esquerdo do mouse para fazer qualquer coisa” e eu tenho uma boa notícia: assim como no Chrono Trigger não existem os famigerados random encounters. Outra similaridade é que ambos usam o mesmo sistema de batalha (o Active Time Battle que também é encontrado na série Final Fantasy), com skills que afetam determinadas áreas, combinações e esse tipo de coisa. Existe porém mais um camada de estratégia no fato de que o tempo de espera faz diferença. A barrinha tem três níveis diferentes, cada um desses níveis tendo acesso a habilidades diferentes, além de influenciar o poder do ataque normal do personagem.

Inventário, seguindo também os clássicos.

Mana e magia foram substituídos por Core Power e Fate Cards. Core Power é a soma dos poderes de cada um dos três personagens que estiverem na party, e é utilizado por todos para o uso de skills e cartas. As Fate Cards são as magias do jogo, e devem ser obtidas de Bosses, NPCs ou encontradas em dungeons. Elas trazem todas as coisas tradicionais como cura, fogo, água, slow, etc com algumas podendo ser combinadas – destaque para as cartas Summon e Mirror que são as que fazem a maior diferença.

Na parte RPGística o jogo também faz bonito: as cidades de Septerra são cheias de NPCs para conversar e coisas para interagir, sendo importante dizer que cada personagem que estiver na sua party pode interagir separadamente, oferencendo mais informações e algum replay value. O melhor lugar do jogo para ver isso é um bordel no Shell 4, onde podemos ver a reação de cada personagem à profissão mais antiga do mundo.

Temos 100% de dublagem, com os personagens importantes tendo vozes únicas, e o povão com vozes repetidas, mas nada detestável (estou olhando para você Oblivion). Musicalmente falando acho a trilha sonora boa, lembro de eu ficando doido com a pressão da música numa certa Boss Battle que era quase impossível quando eu era mais jovem, mas o quê realmente ficou gravado para mim foram os sons de navegação dos menus (não me pergunte porquê).

E tinha zumbis antes de zumbis serem legais!

Jogar ou não jogar? Jogar definitivamente. Não consigo me lembrar de nada que eu tenha achado ruim, talvez só uma determinada parte onde você ganha uma tremenda liberdada na qual eu fiquei meio perdido, mas pode ser completamente culpa minha, além de não ser nada que alguma tentativa e erro não resolva.

Para mim o final deixou uma abertura, e Septerra Core merecia uma sequel ou quem sabe alguns spin-offs. O veredito final é que esse jogo une algumas das melhores coisas do mundo: PC gaming e Chrono Trigger – se isso não é suficiente para você tens graves problemas.

Você pode adquirir Septerra Core no GoG.com já com os patches necessários para sistemas mais modernos, ou tentar garimpar uma CD Expert onde ele foi o jogo de capa (eu tenho esse na primeira versão, com a revista falando de ótimos lançamentos como Max Payne) – tem no Mercado Livre :D

See ya.

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