Little Big Adventure and a New Guy

Apresentação

Você não me conhece. Sério. Eu nunca escrevi nada para a internet, sabe por quê? Porque todo mundo me enrola! Perdi as esperanças de escrever, mas aceitei o convite do amigo Rubiopaloosa porque posso bater nele pessoalmente. As palavras dele:  “se estiver afim de escrever aqueles textos falando de jogos antigos, como pro [CENSURADO], eu aceito de coração mais aberto de todos”, então aqui estou (estarei?) fazendo isso! Com foco nos clássicos e desconhecidos do abandonado PC, my pride and joy.

Ah, eu tenho um webcomic também (in english)! E não estou só escrevendo aqui como uma chance de promover meu trabalho pessoal. *wink wink*

De qualquer forma, leia e me diga o quê acha. Eu quero saber sua opinião a respeito de jogos que não interessam ninguém há pelo menos 15 anos, começando por um action/adventure europeu que eu descobri depois de velho.

Little Big Adventure (MS-DOS 1994)

Little Big Adventure (também conhecido como Relentless: Twinsen’s Adventure) é um action-adventure de 1994, desenvolvido pela francesa Adeline Software International, falecida no início dos anos 2000. O jogo conta a história de Twinsen e sua jornada para cumprir uma profecia e salvar seu planeta natal, Twinsun.

Twinsun vive sobre o regime ditatorial do Dr. Funfrock, que alcançou seu poder por ter a exclusividade de duas poderosas tecnologias: clonagem e teleportação. Sua primeira ação como senhor de todo o planeta foi isolar o hemisfério norte de Twinsun, expulsando todos seus moradores. O bom Dr. também tornou um crime capital a citação a qualquer coisa relacionada a lendas e profecias – e é assim que Twinsen acaba se dando mal. Graças a seus estranhos sonhos (e alguns dedos-duro) o nosso herói começa o jogo numa prisão.

Já comecei o jogo preso - um ótimo sinal.

A história se segue como o clássico conto do “chosen one”, o escolhido. Twinsen deve viajar pelo mundo juntando as peças que explicam a profecia, entender a sua importância na história e finalmente salvar o mundo (e sua garota).

Graficamente é um belo jogo com sua linda câmera isométrica (se você não gosta de câmera isométrica vai me odiar profundamente). Todos os personagens, animais e veículos são modelos 3D (3D de 1994, vale lembrar), enquanto o cenário é feito em sua maioria em 2D. O destaque fica para as animações dos personagens, bem fluídas e “orgânicas”, mesmo com a simplicidade dos modelos. E temos cutscenes também!

Interface não existe, ou melhor dizendo, não existe HUD (heads-up display) – todas as informações estão ou no seu inventário ou na sua “tela de estados”. Ah… a tela de estados, essa sim pode-se dizer que é um grande diferencial de jogabilidade para qualquer outro jogo: Twinsen tem quatro estados diferentes (normal, athletic, agressive e discreet); cada qual tendo seu momento exato para ser usado e possuindo uma ação diferente ligada à barra de espaço (o “action button” do jogo), além de alterar a trajetória da sua “Magic Ball”. Por exemplo, ao invés de segurar o Ctrl para andar de forma furtiva, o jogador dever entrar no modo “Discreet”. O que a princípio parece uma camada desnecessária no gameplay logo se torna uma ação comum, pois a troca de estados é fácil.

O jogo é um adventure, então espere recolher muitos itens e atender a pedidos bem estranhos dos moradores de Twinsun. O jogo também é action, então espere kickar muitos asses, principalmente com sua “Magic Ball”. No geral LBA me trouxe um “Zelda feeling”, o nome que eu dei ao efeito de ganhar itens e poderes que podem ser usados para abrir coisas lá no início do jogo. Vale dizer que os mapas podem ser revisitados a qualquer momento.

Como grande parte dos jogos antigos, esqueça o mouse – é tudo no teclado. Mesmo para quem não gosta é só uma questão de se acostumar com os controles (mais sobre isso adiante).

Na parte sonora, LBA também brilha. Não me lembro de nenhum efeito sonoro ou música que tenha me incomodado, aliás, as músicas são muito boas. O voice-acting também não deixa a desejar, trazendo bastante personalidade aos personagens e suas diferentes raças. O único problema que eu notei é que às vezes a música é muito mais alta que as vozes, mas isso pode ser problema da minha configuração ou do DOSBox.

“NUOSSA, MAH ESSE JOGO EH PERFEITO!!!”, calma aí rapaz imaginário que escreve em tudo em caps: agora é a hora da verdade. O jogo tem TRÊS problemas que são de arrancar barba com pinça:

Além das vertigens marítmas.

  • Número 1: se você estiver correndo no modo “Athletic” e bater numa parede ou obstáculo, você toma dano. E não sou eu que estou dizendo que isso é horrível, são os próprios developers que tiraram isso do segundo jogo da série. E com esse problema vem o próximo.
  • Número 2: toda vez que você toma dano você toma um knockback (sabe como é, aquele passinho para trás que te deixa sem ação). Isso não é problema até você estar À BEIRA DO MAR (água, a pior inimiga dos heróis de videogame dos anos 90). Isso também acaba criando situações de “one hit KO”, onde se um inimigo te pega ele te mata porque não tem como fugir. E não pense que se você for atacado por trás será jogado para frente, ao contrário, tomarás o knockback e ficará MAIS PERTO de seu algoz.
  • Número 3: para usar sua Magic Ball você deve mirar perfeitamente, o que só dá para fazer com tentativa e erro (que falta faz aquela linhazinha pontilhada de jogo de bilhar). Acertou o inimigo? Parabéns! Agora existe a chance dele ter se movido um pouquinho com o impacto, saindo da sua trajetória perfeita que terá de ser recalculada!

Esses são os problemas terríveis. O controle, como eu já disse, é uma questão de costume, após um tempinho de gameplay você já vai saber as manhas, e até mirar a Magic Ball fica mais fácil. Finalmente, é um jogo de PC com autosave onde você só tem um arquivo que fica sendo reescrito. Para vocês jogadores de console isso não é nada – para mim eu fico doido de não poder ter sempre um backup, chegando ao ponto de jogar e ir fazendo os backups manualmente.

Jogar ou não? Jogar, definitivamente jogar. É um clássico europeu dos anos 90 (tem tanta coisa boa nessa sentença que meu gato teve um orgasmo) e, apesar dos últimos parágrafos fazerem parecer que eu odeio tudo, eu gostei bastante. Twinsun é um belo mundo habitado por gente muito bacana que precisa da sua ajuda. Você pode adquirir o jogo no GoG.com, prontinho para rodar no seu Windows 7.

Toca Raul!

Ah sim! O jogo foi lançado também para PSONE e teve uma continuação lançada em 1997, que eu ainda não joguei mas já está comprada. Então com certeza você ouvirá mais sobre Twinsen.

See ya.

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